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Bot ou não? Os fatos sobre manipulação de plataforma no Twitter

Por Yoel Roth e Nick Pickles
Segunda-feira, 18 Maio 2020

Olhando para trás, houve muita discussão sobre bots online. Com o tempo, no entanto, tornou-se um termo carregado e muitas vezes incompreendido.

As pessoas geralmente se referem aos bots ao descrever desde atividades automatizadas da conta a indivíduos que preferem ser anônimos por motivos pessoais ou de segurança ou evitam uma foto porque têm fortes preocupações com a privacidade. O termo é usado para caracterizar erroneamente contas com nomes de usuário numéricos que são gerados automaticamente quando a @ que você quer já está sendo utilizada, e, mais preocupante, como uma ferramenta daqueles em posições de poder político para manchar a opinião de pessoas que podem discordar delas ou da opinião pública online que não lhes seja favorável.

Também existem muitos serviços comerciais que têm como objetivo oferecer informações sobre bots e suas atividades online, e freqüentemente seu foco é inteiramente no Twitter devido aos dados gratuitos que fornecemos por meio de nossas APIs públicas. Infelizmente, essa pesquisa raramente é revisada por pares e, muitas vezes, não resiste ao escrutínio, confundindo ainda mais a compreensão do público sobre o que realmente está acontecendo.

Vamos detalhar e explicar os fatos.

O que é um bot?

Com base no que descrevemos acima, há, compreensivelmente, muita confusão e precisamos fazer um trabalho melhor para nos explicar. Em suma, um bot é uma conta automatizada - nada mais, nada menos.

Voltando alguns anos atrás, as contas automatizadas eram um problema para nós. Focamos nisso, fizemos investimentos e obtivemos êxitos significativos ao combatê-los do Twitter. Isso não significa que nosso trabalho esteja concluído.

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O mais importante para se atentar em 2020 é o comportamento holístico de uma conta, não apenas se ela é automatizada ou não. É por isso que os pedidos de rotulagem de bot não solucionam o problema que estamos tentando resolver e que temos que nos atentar aos erros que poderíamos cometer com pessoas reais que precisam do nosso serviço para fazer ouvir a sua voz. Não é apenas uma questão binária de ser bot ou não - as nuances são o que importam.

O mais importante para se atentar em 2020 é o comportamento holístico de uma conta, não apenas se ela é automatizada ou não. É por isso que os pedidos de rotulagem de bot não solucionam o problema que estamos tentando resolver e que temos que nos atentar aos erros que poderíamos cometer com pessoas reais que precisam do nosso serviço para fazer ouvir a sua voz. Não é apenas uma questão binária de ser bot ou não - as nuances são o que importam.

É por isso que focamos nossa atenção onde está o trabalho mais importante. Nós chamamos isso de manipulação de plataforma.

O que é manipulação de plataforma?

Nosso trabalho proativo está focado na manipulação de várias formas e isso inclui o uso malicioso da automação. Conforme comentado, nossas políticas nesta área se concentram no comportamento, não no conteúdo, e são escritas de uma maneira que visa as táticas de spam que diferentes pessoas ou grupos poderiam usar para tentar manipular conversas no Twitter (e não no que estão dizendo especificamente) .

É importante observar que nem todas as formas de automação são necessariamente violações das Regras do Twitter. Vimos usos inovadores e criativos da automação para enriquecer a experiência do Twitter - por exemplo, contas como @rosiedaserenata e @elasnocongresso.

A automação também pode ser uma ferramenta poderosa nas interações de atendimento ao cliente, em que um bot de conversação pode ajudar a encontrar informações sobre pedidos ou reservas de viagem automaticamente. Isso é incrivelmente útil e eficiente para pequenas empresas, especialmente em um momento de distanciamento social.

Então, o que é proibido?

  • Uso malicioso da automação para distorcer e atrapalhar a conversa pública, como tentar fazer um termo chegar aos Assuntos do Momento
  • Amplificação artificial de conversas no Twitter, inclusive por meio da criação de contas múltiplas ou sobrepostas
  • Gerar, solicitar ou comprar engajamentos falsos
  • Utilizar táticas massivas ou agressivas ao Tweetar, engajar ou seguir contas
  • Usar táticas de spam em hashtags, incluindo o uso de hashtags não relacionadas em um Tweet (também conhecido como "hashtag cramming")

Nosso poder tecnológico para identificar e remover proativamente esses comportamentos em nosso serviço está mais sofisticado do que nunca. Suspendemos permanentemente milhões de contas todos os meses, automatizadas ou de spam, e fazemos isso antes que elas cheguem a algum usuário pela página inicial ou na busca do Twitter.

Também publicamos dados sobre nossas remoções a cada seis meses no Relatório de Transparência do Twitter.

E ferramentas como Botometer e Bot Sentinel?

Essas ferramentas começam com uma pessoa olhando para uma conta - geralmente usando as mesmas informações de conta pública que você pode ver no Twitter - e identificando características que a tornam um bot. Em essência, o nome da conta, a quantidade de Tweets, a localização na biografia, as hashtags usadas etc.

Esta é uma abordagem extremamente limitada.

Como mencionado, uma conta com um nome de usuário estranho geralmente é alguém que teve a @ automaticamente recomendada porque seu nome real já está sendo usado no Twitter. Uma conta sem foto ou localização pode ser alguém que tenha questões pessoais sobre a privacidade online ou cujo uso do Twitter possa expô-los a riscos, como um ativista ou dissidente. Você não gosta de dizer muito sobre você em sua biografia ou seu local na sua conta? Alguns de nós no Twitter também não. Mesmo que todos esses detalhes públicos sejam colocados em um modelo de aprendizado de máquina para tentar prever probabilisticamente se uma conta é um bot, quando eles dependem da análise humana das informações da conta pública, esse processo contém viés - desde o início.

Vamos dar outros exemplos do cotidiano para maior clareza. Alguém que Tweeta 100 vezes por dia com a hashtag #Brasileirão pode ser apenas um indivíduo extremamente envolvido que adora futebol (ou odeia, se seu time é ruim). Se você se preocupa profundamente com o meio ambiente e faz um Tweet sobre ele em um determinado momento político, quando você e seus amigos querem causar impacto, você não é um “bot político” - você é um cidadão ativo que organiza uma campanha online orgânica para promover mudanças em sua comunidade.

Essas ferramentas não levam em conta esses casos de uso comuns do Twitter, a evolução do nosso trabalho e como as coisas mudaram. Como resultado, as nuances podem ser perdidas. O resultado? Julgamentos binários de quem é um "bot ou não", que têm um potencial real de corromper nosso discurso público - principalmente quando são divulgados pela mídia.

Isso não significa que somos perfeitos. Claro que não. Só que a ameaça evoluiu e a narrativa sobre o que realmente está acontecendo não está acompanhando o passo.

Se eu vir atividade suspeita, posso denunciá-la?

Sim. Se você perceber alguma atividade suspeita, denuncie-a. Adicionamos essa informação às centenas de outras que usamos para informar nosso trabalho.

Se queremos criar um ecossistema de informações saudáveis, todos temos um papel a desempenhar. Reforçamos esses pontos muitas vezes e ficaremos mais fortes e mais diretos em nossos esforços públicos neste momento crítico da conversa pública global. Estamos plenamente conscientes de nossa responsabilidade neste espaço. Isso inclui proteger a integridade de nosso serviço, continuar mantendo a manipulação da plataforma fora do Twitter e liderar com transparência, compartilhando atualizações regulares sobre nossos progressos e aprendizados.

Este Tweet está indisponível
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@yoyoel

Yoel Roth

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Head of Site Integrity, Twitter

@nickpickles

Nick Pickles

‎@nickpickles‎ verified

Director of Policy Strategy, Twitter

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